Vida imita um filme de terror 

 

Lucca-Magnotta Na terça-feira, 29 de maio, a polícia foi acionada após um pacote suspeito chegar à sede do Partido Conservador em Ottawa. A declaração de que a caixa continha um pé humano foi seguida pela descoberta de outra encomenda interceptada em uma agência dos correios: uma mão que deveria ser entregue no prédio do Partido Liberal.


No decorrer da semana, as autoridades confirmaram que o pé e a mão pertenciam a um corpo decapitado, encontrado dentro de uma mala abandonada em Montreal. E, nesta sexta-feira, um anúncio oficial identificou a vítima: o chinês Jun Lin, de 33 anos, era estudante universitário na cidade há quase um ano e estava desaparecido desde o domingo, 24 de maio.

O corpo de Jun Lin foi descoberto perto de um prédio onde a polícia, mais tarde, achou um apartamento com muitas marcas de sangue, em especial no colchão, na geladeira e no banheiro. As investigações levaram o locatário, Luka Rocco Magnotta, a ser declarado como principal suspeito do crime na quarta-feira, 27 de maio.


A última peça do quebra-cabeças foi um vídeo de quase 11 minutos postado na internet. As imagens mostram um homem sendo torturado, morto e esquartejado. De acordo com a polícia, as filmagens do assassinato são autênticas e a vítima se encaixa com a descrição de Jun Lin.

 

O autor do crime

 

Eric Clinton Newman trocou legalmente de nome em 2006 e passou a se chamar Luka Rocco Magnotta, mas também se identifica com o nome artístico Vladimir Romanov. Hoje com 29 anos, ele nasceu em Toronto, cidade onde morava até quatro meses atrás, quando se mudou para Montreal. Descrito como branco, altura de aproximadamente 1,52 metro, e cerca de 61 quilos, com olhos azuis e cabelo preto, ele é agora procurado por todo o país. À pedido da polícia, Magnotta foi incluído ainda na lista de criminosos da agência internacional Interpol. As autoridades, no entanto, admitem que o acusado talvez não esteja mais no Canadá, e investigam a possibilidade de ele ter fugido em um avião para a França. Outra teoria sendo avaliada é a de que Magnotta tenha saído do país disfarçado como uma mulher.


Fingir ser uma pessoa do sexo oposto não seria novidade para Magnotta. Em 2004, ele foi preso em Toronto por assediar sexualmente uma mulher, roubar quase $17 mil da vítima e fazer-se passar por ela para criar um cartão de crédito com o qual fez diversas compras e adquiriu telefone celular, assinatura de TV a cabo e internet. Conhecido por sua carreira como ator pornô, Magnotta também fez notícia com ao menos duas polêmicas. Em 2007, ele foi apontado como amante de Karla Homolka, canadense famosa por ter sido cúmplice no estupro e assassinato de duas adolescentes em 1992. E, em 2010, ele sofreu acusações de postar na internet um vídeo no qual torturava e matava dois filhotes de gato.


Apesar de ter negado seu envolvimento nas duas histórias, um e-mail supostamente escrito por Magnotta na época da morte dos animais mostra uma versão bem diferente: “É divertido ver essas pessoas tentando juntar evidências, mas incapazes de me pegar. Sabe, eu sempre ganho e vou continuar a fazer vídeos. Preciso sumir por um tempo, até pararem de me perturbar. Mas na próxima vez que ouvirem falar de mim, será com um filme que produzirei e que terá participação de humanos e não só gatinhos. Uma vez que você mata e experimenta o sangue, é impossível parar”.